O crepúsculo da manha pintava o céu, enquanto um silêncio e
um profundo desespero tomam conta daquela velha cabana no alto das falésias. A
paixão de horas antes agora dava lugar ao frio da partida. Quando uma pergunta
rompe o silêncio:
- Terá que partir mesmo? (Ela perguntou com os olhos marejados)
- Infelizmente, tento minhas obrigações com o mar, não há
como evitar. Se o destino quis assim, assim será. (Responde de uma forma seca)
-Mas é perigoso, e particularmente, não acredito em destino.
Temo por sua vida!
- A questão não é as excentricidades em que acreditamos, mas
sim a fé que deposito em você. Terá que ser forte caso eu não volte!
Com voz tremula, ela
replica:
- Não fale besteiras, já que tem tanta fé em mim, deveria usar
parte dela para crer em si mesmo!
- Sim! Concordo com você, porém as expectativas não são das
mais otimistas.
- Por quais motivos?
- Apenas dois.
E apontando da janela do casebre em direção ao oceano, ele
diz:
- O primeiro, é que sinto que não irei voltar. O segundo que
lá no horizonte, onde aquelas nuvens negras e carregadas que borra o céu está
se formando uma tempestade. E por ironia do destino, é para lá que devo ir.
Já irritada e tomada pelo desespero, ela o reprime em voz
alta:
- NÃO EXISTE DESTINO! Eu te suplico, não vá! É loucura!
- Você não entende! (ele balbucia)
- Eu não entendo? (ela retruca) Você está rumando à morte e
ainda me pede para ver uma lógica nisso
tudo? Deve estar brincando mesmo. E se o destino realmente existe não esta nas mãos do acaso determiná-lo, e sim nas tuas!
tudo? Deve estar brincando mesmo. E se o destino realmente existe não esta nas mãos do acaso determiná-lo, e sim nas tuas!
-Então está determinado, eu vou!
Pela primeira vez, ela cai aos prantos, na tentativa de
buscar consolo e conforto ou uma possível comoção de seu companheiro. Mas mal
sabe ela, que os deuses já traçaram o infortúnio futuro daquele jovem homem do
mar.
Aos poucos, o desejo de impedir a partida de seu amante se
desnutria da cabeça, ela já estava se conformando quando fez tal pergunta:
- Prometa deixará uma parte de seu coração comigo antes de
partir?
Ele responde sem o intuito de mergulhá-la mais ainda nas
lágrimas.
- Deixaria contigo até mesmo minha essência, mas tenho uma
divida, meu corpo e minha alma pertencem ao mar, e é nas profundezas das
Marianas onde devo saldar meu pesar e repousar pela eternidade.
Novamente ela chorar, mas agora as lágrimas têm um gosto e
um peso diferente. Amargas e tão pesadas que ao se chocar com o chão, faz o
coração se despedaçar. Ela profere heresias aos céus, questionando o sarcasmo
dos Deuses. Blasfemando sem hesitar:
- Céus! São como porcos, indignos de quais quer honra! Como
vocês têm a audácia de separar este amor?
Vendo sua amante gritar e chorar ensandecidamente, o jovem
homem a acolhe em seus braços, e com sutileza ele diz ao pé do ouvido:
- Sou corsário, é meu dever partir, as conseqüências serão
muito piores se tenta fugir. Fiz um pacto, vendi minha alma, agora chegou o dia
da cobrança.
A longe despedida se aproxima do fim. Eles se beijam, e com
um forte abraço o adeus é dado. Ele se levante da cama, ajunta sua coisas,
caminha até a porta e olha para ela.
- Temos a eternidade para ficar juntos, te espero nas Marianas
Ela diz:
- Prometo que em breve nos encontraremos!
E assim o jovem corsário parte, andando lentamente em direção a uma embarcação que o esperava na praia. Ela correr até o farol, sobe até seu
topo, e de lá vê seu amante seguir seu destino. Indo cada vez mais distante no
oceano que de Pacifico só tem o nome com um enorme borrão negro ao fundo. E
pela terceira e ultima vez, lágrimas rolam de seus olhos discretamente.

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