Desacelero de toda a turbulência cotidiana, deixo o ar e os fluidos entrarem através da respiração e se espalhar por todo corpo, chegando por fim a mente e ao coração. É só parar e abrir os abraços, sentir o vento vindo de encontro, para começar a absorver todas as sensações. A brisa conta histórias dos mais diversos gêneros e espécies, dramas, romances, ação, terror. O rastro da existência de cada individuo que por aqui passou.
É como se velhas senhoras viessem a meus ouvidos sussurrarem essas histórias. E enquanto permaneço de olhos fechados, vou montando o quebra-cabeça desses relatos na mente, e assim que abro os olhos, vejo todas as cenas passando ao vivo, como se estivesse num filme em que o passado interage com a realidade. Fleches revelam fotos cerebrais pelas ruas.
Me sinto no dever de relatar tais fatos, como se isso fosse o meu sentido de vida. Essa sensibilidade é algo muito pessoal. Desde que me entendo por gente conto histórias, algumas verídicas, outras imaginarias. Quando estou nesse estado, sou domado pela leveza, me torno pureza e simplicidade, como se a luz viesse até mim. De abraços abertos, sinto como se pudesse voar. Sons se tornam triviais, luzes mais nítidas, sentimentos mais verdadeiro, pensamento mais concretos. Então me deixem saltar, pois já encontrei meu lugar.

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