Andei até o armário, o peguei na prateleira, abri a tampa da caixa, limpei o pó e coloquei no peito novamente. Ele estava meio sujo, empoeirado, com alguns arranhados e sinais de usos passados, mas nada que uma polida não resolva. O problema maior será na hora de ligá-lo de novo, ele está desconfigurado, com falta de dados atualizados. Isso tudo pra não dizer que já está obsoleto, fora de linha.
Mas não há peças de reposição muito menos troca, nasci com ele, vou ter que aprender a conviver com ele até o ultimo segundo da minha insignificante existência. E ainda haverá muitos curtos circuitos, muitas sobrecargas de emoções e momentos que ele ficará tão quente e acelerado que vai dar a impressão que irá explodir, isso até o dia que ele pifar de vez.
Sei que de fato não é uma máquina muito fácil de manusear, e para mim sempre foi um problema quando ele estava funcionando. Mas agora parece que estou aceitando viver com ele, aprendendo a lidar com o seu complexo manual de instruções. A intensidade que antes era um estorvo agora fica mais fácil de direcionar. Percebi que ela é o que eu tenho da mais importante. Sinto como se essa intensidade fosse fazê-lo disparar jatos de luz, uma força incontrolável, capaz de mover pessoas e o mundo. Só tenho a agradecer a quem me fez ir até aquele armário de novo.
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