Olhe todas as marcas e feridas de minha alma, são lembranças
de um coração doente. Que há muitos anos perdeu seu norte, a estrela que o
fazia se sentir vivo e hoje vaga, de colo em colo, por onde encontra brechas
para ser aceito. Meus lamentos da madrugada mostram que por mais superado que esteja
ainda não esqueci, não saiu de meu subconsciente. Apenas aprendi a lidar como o
fato de nunca consegui tê-la.
Os pulmões já se foram, e a cada tragada, tusso letras de seu
nome. Talvez isso reflita a minha necessidade de respirá-la, pois durante três
longos anos, vivi sem senti sua essência. Mas agora, uma parte da memória foi
reativada involuntariamente, me jogando de volta naquele turbilhão. E eu só me
pergunto, por quê?
Vontade dos céus não satisfaz meu questionamento. Já que Parece
que estou sendo assombrado novamente, por um fantasma que há tempos matei. É totalmente
contraditório, como as palavras deste texto, mas é o mais próximo que consigo
chegar de definir algo ainda indefinido.
Pobres coitados dos trovadores que um dia tentaram expressar
esse sentimento através de cantigas. Pois é muito mais que uma musa idealizada,
imaculada e altiva. É mergulhar de cabeça em um poço profundo de incertezas,
tão atraente quanto belo e obscuro. Tão intenso, que faz a garganta do mais
nobre embargar e os joelhos dos poderosos dobrarem. Mas ao mesmo tempo, é
simples e singelo, como a chuva, lavando a alma dos mortais.

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